RIBEIRO ROCHA JULIO 
NÃO HÁ PURIFICAÇÃO APÓS A MORTE FÍSICA
NÃO HÁ PURIFICAÇÃO APÓS A MORTE FÍSICA

Existe uma crença muita propagada por alguns segmentos religiosos, que eles a chamam de purgatório. Dizem que as pessoas morrendo em pecado vão para um lugar chamado purgatório, onde purgarão ou purificarão os seus pecados. Partindo-se desse princípio, teria o homem uma segunda chance para salvação. Fora do contesto bíblico?

Argumenta o homem que purgatório, ao contrário do que muitos pensam, não é um local, mas um estado. Trata-se de um estado temporário onde ficam aqueles que ao morrer não estão plenamente purificados das impurezas do pecado.

O homem teima dizendo que os protestantes não acreditam no purgatório, mas é muito simples. Eles só admitem a Bíblia  como  fonte de revelação, sendo o purgatório um dogma de fé.

Os propagandistas do purgatório dizem que tem a Bíblia e a tradição como fonte de verdade. A tradição – dizem – encontra sua força no fato de que uma verdade foi acreditada de modo ininterrupto desde Jesus até os dias de hoje. Dizem que se trata de um dogma de fé, e que o purgatório é para purificação. 

Será que isto é verdade mesmo? Tem procedência?

Examinemos as escrituras, conforme  Jesus mandou. Vejamos, a seguir, o exemplo citado por Jesus na história do rico e do mendigo Lázaro, que está narrada em Lucas, capítulo 16, versículos 19 a 31, que diz:

“Ora, havia um homem rico que se vestia de púrpura e de linho finíssimo, e todos os dias se regalava esplendidamente. Ao seu portão fora deitado um mendigo chamado Lázaro, todo coberto de úlceras; o qual desejava alimentar-se com as migalhas que caíam da mesa do rico; e os próprios cães vinham lamber-lhe as úlceras.”

Ambos morreram

“Veio a morrer o mendigo, e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; morreu também o rico, e foi sepultado. No hades, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe a Abraão, e a Lázaro no seu seio. E, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim, e envia-me Lázaro, para que molhe na água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama.”

Responde Abraão:

“Filho, lembra-te de que em tua vida recebeste os teus bens, e Lázaro de igual modo os males; agora, porém, ele aqui é consolado, e tu atormentado. E além disso, entre nós e vós está posto um grande abismo, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem os de lá passar para nós.”

E continuou o rico:

Então: Rogo-te, pois, ó pai, que o mandes à casa de meu pai, porque tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a fim de que não venham eles também para este lugar de tormento.”

Disse-lhe Abraão:

“Têm Moisés e os profetas; ouçam-nos. Respondeu ele: Não! pai Abraão; mas, se alguém dentre os mortos for ter com eles, hão de se arrepender. Abraão, porém, lhe disse: Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco acreditarão, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos.” (Lucas 16:19-31)

Observemos bem:

Se essa doutrina fosse bíblica, o rico não estaria no hades, e sim no purgatório ou com outro nome qualquer. Por outro lado, Jesus não falou quais seriam os pecados do rico. Uma coisa, entretanto, ficou provada nessa passagem das Sagradas Escrituras que uma imensidão de favorecidos pelas bênçãos comuns de Deus, nem sequer sabe agradecê-Lo.

O rico certamente não agradecia, não saciou a fome de Lázaro, nem tampouco cuidou de suas feridas, como o fizera o bom samaritano, de Lucas, capítulo 10, versículos 33 e 34.

Continuando no mesmo assunto

O homem, em pecado, pede a Deus que apague as suas transgressões, como se vê a seguir:

 “Tem misericórdia de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; apaga as minhas transgressões, segundo a multidão das tuas misericórdias. Lava-me completamente da minha iniquidade e purifica-me do meu pecado. Porque eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim. Contra ti, contra ti somente pequei, e fiz o que a teus olhos é mal, para que sejas justificado quando falares e puro quando julgares. Eis que em iniquidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe. Eis que amas a verdade no íntimo, e no oculto me fazes conhecer a sabedoria. Purifica-me com hissopo, e ficarei puro; lava-me, e ficarei mais alvo do que a neve.” (Salmos 51:1-7)

O homem invoca o nome do Senhor, a fim de levar os seus pecados, conforme o livro de Atos dos Apóstolos, capítulo 22, versículos 12 a 16, que diz:

“E um certo Ananias, varão piedoso conforme a lei, que tinha bom testemunho de todos os judeus que ali moravam,  Vindo ter comigo, e apresentando-se, disse-me: Saulo, irmão, recobra a vista. E naquela mesma hora o vi.  E ele disse: O Deus de nossos pais de antemão te designou para que conheças a sua vontade, e vejas aquele Justo, e ouças a voz da sua boca.  Porque hás de ser sua testemunha para com todos os homens do que tens visto e ouvido.  E agora porque te deténs? Levanta-te, e batiza-te, e lava os teus pecados, invocando o nome do Senhor.” 

O homem é lavado e santificado.

“E é o que alguns têm sido, mas haveis sido lavados; mas haveis sido santificados, mas haveis sido justificados em nome do Senhor Jesus, e pelo Espírito do nosso Deus.” (1 Coríntios 6:11)

A escolha é voluntária e feita em vida, conforme disse Jesus:

Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; E porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem.” (Mateus 4:13-14)

Como vimos, não é o que homem inventa, e sim o que o Senhor diz nas Escrituras. Os que, em viva, andaram pela porta larga e o caminho espaçoso, seu destino é o fago eterno.

Sobre isto, Nosso Jesus Amado explicou muito bem, conforme está escrito:

“Igualmente o reino dos céus é semelhante a uma rede lançada ao mar, e que apanha toda a qualidade de peixes. E, estando cheia, a puxam para a praia; e, assentando-se, apanham para os cestos os bons; os ruins, porém, lançam fora. Assim será na consumação dos séculos: Virão os anjos, e separarão os maus de entre os justos, E lançá-los-ão na fornalha de fogo: ali haverá pranto e ranger de dentes.” (Mateus 13:47-50)

Jesus diz qual o comportamento do homem para entrar no Reino de Deus, que se encontra descrito no livro de Mateus, capítulo 18, versículos 3 e 4:

“E disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus. Portanto, aquele que se tornar humilde como este menino, esse é o maior no reino dos céus.”

Quem morre em pecado não está no livro da vida.

“E nela não vi templo, porque o seu templo é o Senhor Deus Todo-Poderoso, e o Cordeiro.  E a cidade não necessita de sol nem de lua, para que nela resplandeça, porque a glória de Deus a tem alumiado, e o Cordeiro é a sua lâmpada.  E as nações andarão à sua luz; e os reis da terra trarão para ela a sua glória e honra.  E as suas portas não se fecharão de dia, porque ali não haverá noite.  E a ela trarão a glória e honra das nações.  E não entrará nela coisa alguma que contamine, e cometa abominação e mentira; mas só os que estão inscritos no livro da vida do Cordeiro.” (Apocalipse 21:22-27)

Deus coloca o homem nos livros ou no livro da vida antes da morte física, conforme podemos observar no texto seguinte.

Tendo Moisés mandado matar à espada quase três mil adoradores do bezerro de ouro (Êxodo 32:27-28), no dia seguinte ele falou aos que escaparam da espada, que também haviam pecado contra o Senhor Deus, dizendo:

“...Vós pecastes grande pecado; agora, porém, subirei ao SENHOR; porventura, farei propiciação por vosso pecado” (Êxodo 32:30)

Moisés foi à presença de Deus e pediu para riscar o seu nome do livro do Senhor

Assim, tornou Moisés ao SENHOR e disse: Ora, este povo pecou pecado grande, fazendo para si deuses de ouro.  Agora, pois, perdoa o seu pecado; se não, risca-me, peço-te, do teu livro, que tens escrito.  Então, disse o SENHOR a Moisés: Aquele que pecar contra mim, a este riscarei eu do meu livro.” (Êxodo 32:30-33)

Ao anjo da igreja que estava em Sardo disse Jesus:

O que vencer será vestido de vestes brancas, e de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida; e confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos.” (Apocalipse 3:5)

“E VOS vivificou estando vós mortos em ofensas e pecados, Em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência. Entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também. Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos). E nos ressuscitou juntamente com ele, e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus;” (Efésios 2:1-6)

Nos dois casos, percebemos que os nomes são colocados nos livros ou no livro da vida enquanto o ser humano é um corpo de carne viva.

Jesus dirigiu a carta ao anjo, que era o pastor da igreja dos vivos, em Sardo, mesmo porque  não existe serviço postal especializado que leve cartas aos que já morreram. 

O dicionário pátrio diz o significado das palavras abaixo:

Propiciação: Ato ou efeito de propiciar. Sacrifício ou oferta a uma divindade para lhe aplacar a cólera ou para a agradar.

Purgatório: Que purga. Lugar onde se purificam as almas que, não merecendo o Inferno, não podem, contudo, entrar no Céu sem expiarem a culpa.

Permanecente: Que permanece; estável, duradouro.

Aborrece:  Que causa aborrecimento.   

Esparge: Derramar (vertendo), espalhar. Desfolhar. Difundir.

Expiação: Ato ou efeito de expiar. Cumprimento da pena ou castigo.

Purificar: Tornar puro. Libertar de substâncias impuras. Santificar; mundificar.

Hissopo: Planta aromática labiada usada em medicina e perfumaria. Plural: hissopos.

O dicionário explica o significado das palavras segundo a doutrina humana. Porém, sobre a palavra de Deus, é totalmente leigo.