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Cap 146 Guerra psicológica
Cap 146 Guerra psicológica

 

             Com a chegada do mandado ao Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, estávamos precisando tirar cópias xerográficas e autenticar todo o processo. E para tal recorri à direção do Clube Tiradentes,  ainda em transição,  porém, o seu presidente se negou  fazê-lo alegando:

“O dinheiro só poderá ser retirado da conta bancária para fins virtuais e depois da posse do novo presidente”.

Expliquei ao nobre presidente, que aquelas providências exigiam urgência, mas em vão tentei. Entendi que o sargento Esmeraldo estava sendo precionado pelo sargento Siqueira para não me atender.

Minutos após a minha tentativa frustrada recebi um telefonema de um sargento representando os companheiros na cidade de Caicó, no interior do Rio Grande do Norte, que gostaria de saber sobre o andamento da ação, ao qual fiz ciente sobre a falta de apoio do clube. 

O mesmo sargento de Caicó telefonou para os sargentos Esmeraldo e Siqueira exigindo, urgente, a presença deles naquela cidade para uma reunião com os subtenentes e  sargentos  da região, que foi marcada para a sexta feira da mesma semana. E em seguida telefonou-me exigindo, também, a minha presença. Expliquei-lhe que, por questão financeira, não poderia comparecer, mas ele insistiu e assegurou-me que eles - os subtenentes e sargentos -, custeariam minhas despesas, incluindo conta telefônica que se encontrava estourada só com os telefonemas que eu os dava ao STJ, a fim de colher as informações necessárias sobre o mandado de segurança, enquanto ninguém não movia uma palha.

Resolvi atender ao convite. E para viajar, contei com o apoio dos sargentos Luiz Antônio Soares e Azemil, que estavam preocupados com a minha segurança, em virtude de haver surgido boatos de que um grupo de policiais não identificado havia dito que me mataria, caso eu recuasse na ação judicial, isto porque continuavam os boatos de que eu teria recebido 50 mil reais para abandonar a causa.

Pela tarde da quinta-feira daquela semana, fui ao Clube Tiradentes em companhia do sargento Luiz Antônio Soares, onde acabava de chegar o  sargento  Pereira  que  estando  preocupado  com  as  ameaças  que  me  estavam  fazendo,  colocou  o  seu  carro  à minha disposição  para a viagem à cidade de Caicó, tendo como ponto de partida a sede do Tiradentes, às 4 horas da manhã do dia seguinte.

Na hora marcada, houve atraso do sargento Siqueira que nos acompanharia em outro veículo. Esperamos cerca de 20 minutos, e como Siqueira não chegava, e com 6 pessoas no carro do sargento Pereira seria impossível viajarmos, rezão pela qual eu e os dois sargentos resolvemos ir de ônibus.

Ao passarmos pela cidade de Acari, o sargento Soares mandou um policial militar telefonar para o Centro de Operações do Batalhão da PM, em Caicó, avisando que nós estaríamos chegando à rodoviária, às 9 horas.

O sargento Siqueira, que fora com a sua diretoria e o cabo Aurélio, este, presidente da Associação de Cabos e Soldados, chegou cedo, e informou aos policiais que eu não iria, mandando-os ir para o local da reunião, os quais nem se mexeram e responderam que só iriam comigo, pois, eu estaria chegando.

Na rodoviária, o sargento Manoel Anísio, da reserva remunerada da Polícia Militar, residente naquela cidade, estava nos esperando, levando-nos ao batalhão.

Ao descer do veículo, sai cumprimentando, pessoalmente, todos os policiais  militares e seus familiares até chegar ao gabinete do major Reinaldo - o então capitão Reinaldo do Conselho de Disciplina instaurado contra mim -, ao qual falei sobre a nossa ida àquela organização policial.

Acompanhado pelo major, fui ao local da reunião, cujo salão estava supercheio de policiais ativos, inativos e seus familiares. Todos ansiosos por notícias sobre a ação judicial.

Nós nos aproximávamos da porta, quando o sargento Itamar, um dos diretores do sargento Siqueira me abordou, dizendo:

“Subtenente Júlio, a segunda seção telefonou agora mesmo para o senhor, e quer falar com o senhor, com urgência. A ordem é para prender todo mundo. A gente queria que o senhor não aparecesse aqui”.

Aquela afirmativa que acabara de ouvir, abalou-me, profundamente. Parecia até que estaria retornando aos amargos tempos dos anos 91/94.

Eu fui o primeiro a falar explicando tudo sobre o mandado de segurança. E comecei muito nervoso, todo desajeitado com uma gagueira terrível. E só melhorei do meio para o fim. O segundo a se pronunciar foi o sargento Siqueira, o qual, dentre outras, disse:

“O subtenente Júlio está amadurecendo e os clubes estão amadurecidos”.

E continuando, falou... falou... e quis dar ênfase ao seu discurso:

“O Mandado de Segurança foi impetrado em 1991, na presidência do subtenente Júlio, mas, poderia ter sido na presidência de qualquer um...”

Pegou mal o pronunciamento do mencionado sargento, e diversos companheiros tomaram a palavra e fizeram a minha defesa, dentre os quais os subtenentes Modesto e De Lima, aquele, bacharel em direito. Seguiram-se os sargentos  Dari e  Pessoa, este último, da reserva remunerada, residente na cidade de  Florânia, no Rio Grande do Norte. Todos, com veemência condenaram a posição assumida pelo presidente eleito do Clube Tiradentes – o sargento Siqueira.

Naquela oportunidade eu era o herói para quem estava na reunião, coisa, aliás, que encomodava muita o sargento Siqueira que, o todo custo, queria ser o centro das atenções. A estrela maior. O tal!

Ao deixar o recinto, concedi entrevista a dois repórteres da Rádio Rural de Caicó e Rádio Caicó. Um dos entrevistadores perguntou-me:

  • Subtenente Júlio, o que se comenta aqui é que o senhor vai se candidatar a deputado estadual, é verdade?
  • Não. Nem pretendo, salvo se as bases me lançarem - respondi.

Eu e os dois sargentos não nos demoramos naquele recinto, cujo clima tornara-se desfavorável, haja vista o que fora provocado pelo presidente eleito do Clube Tiradentes. De imediato, retornamos à capital potiguar, enquanto a comitiva do sargento Siqueira ficara no batalhão.

No sábado - dia seguinte -, houve uma assembléia geral unificada na sede do clube dos sargentos. À hora da reunião, o coronel Mesquita, Comandante Geral da corporação, havia marcado uma reunião em seu gabinete com os presidentes dos Clubes dos Oficiais, Subtenentes e Sargentos, e Cabos e Soldados. Justamente para desestabilizar o movimento. Na reunião, o presidente da Associação de Cabos e Soldados também tentou me dar uma rasteira, dizendo:

  • Comandante, tem gente aproveitando o escalonamento para dizer que é candidato!...
  • É!... Eu estou sabendo!... - concluiu o comandante.