RIBEIRO ROCHA JULIO 
Cap 170 Minha campanha para deputdo
Cap 170 Minha campanha para deputdo

 

              Para fazer minha campanha e a de Vivaldo, este, arranjou-me um carro emprestado, que o devolvi dois dias após o resultado do pleito na capital.

As miseráveis línguas ferinas começaram a funcionar. Inventando tudo quanto não prestava. Diziam até que eu havia recebido um carro para abandonar a causa.

Como cúmulo do azar, ao gravar a minha propaganda eleitoral, certo de que seria num programa com o PT do B, foi ao ar tudo junto com o da unidade popular, e ao fundo a propagando do governador Garibaldi. Ora, sendo adversário do governador numa guerra jurídica, e também seu adversário político, eu jamais poderia aceitar aquela propaganda desastrosa. De imediato, mandei retirá-la do horário eleitoral, mas os poucos dias que permaneceu no ar, foram suficientes para causar um horrível estrago na campanha, deixando dúvidas na cabeça de muita gente, inclusive civil, levando-me a perder centenas de  votos.

Na Polícia Militar fizeram uma campanha suja para me derrotar. Sem entender nada sobre coligação, muitos saiam me afrontando. E diziam olhando-me:

“Traidor!... Eu sabia!?... Recebeu quanto!?”

Eu procurava explicar que eu não tinha culpa; que as coligações eram feitas pelos dirigentes dos partidos, mas não adiantava, eles eram tapados naquele assunto. E aqueles que me tratavam daquela maneira não votavam em mim, mas influenciavam muita gente.

Os meus adversários aproveitaram a falta de conhecimento dos policiais para a todo custo me prejudicar. Eles me diziam:

“É, subtenente!!... Se o escalonamento sair!... A gente vota no senhor!!...”

Eu lhes explicava que os direitos que eles recebiam todo mês foram uma conquista minha e de meus companheiros, mas era desperdício de tempo. E reafirmavam:

“É!... Se o escalonamento sair!!...”

Andei em 120 municípios, por duas vezes. No começo da campanha, antes da maldita propaganda, a  maioria me recebia bem. E dizia que estava fazendo minha campanha. Mas, aquela mesma maioria mudou de cara depois da propaganda. Por onde eu ia passando só recebia crítica, ouvindo o mesmo assunto.

Dezenas deles levavam a minha propaganda dizendo que era para distribuir com os seus companheiros nos quartéis. Que nada!!... Jogavam-na no depósito de lixo. Foi horrível!

Mesmo com todo aquele desacerto infeliz, a campanha serviu para despertar a consciência de muitos policias militares. Dos PMs que me conheciam de perto e diversos oficiais vestiram a camisa da campanha e tentaram fazer a cabeça dos praças. Centenas de praças - subtenentes, sargentos, cabos e soldados - não mediram esforços pedindo votos para mim.

Não fiz uma única visita nas residências da família policial militar residente na Capital, pois concentrei a minha campanha dentro das unidades da PM.

O Comandante Geral, coronel Luiz Franklim Gadelha, que também era literalmente contra ao Mandado de Segurança Coletivo, baixou determinação no boletim da caserna proibindo propaganda política dentro dos quartéis da Polícia Militar. Na verdade, a posição do comandante era só para me prejudicar, pois os candidatos do PMDB e PPB faziam reuniões com os oficiais dentro dos quartéis do comando e demais unidades, a fim de pedirem votos para Garibaldi e para eles, inclusive  no dia da eleição distribuíram, nos batalhões e companhias, as propagandas de Garibaldi, Henrique e Fernando Bezerra, coisa que, aliás, não se percebe em nenhuma corporação militar federal. Mas, na Polícia Militar  do  Rio   Grande   do  Norte,  é  uma  praxe  secular  a troca de favores, com todo o cinismo que a cara não consegue esconder.

Perseguiram-me de tal forma, que certa manhã eu estava fazendo minha propaganda na rua Ceará-Mirim, próximo ao portão lateral do Quartel do Comando Geral, quando fui procurado pelo major Sérgio, Chefe da Segunda Seção, proibindo-me ficar ali. Contestei dizendo que eu estava fora da área do comando, o qual insistiu querendo que eu fosse fazer minha campanha onde ninguém me visse, quando indaguei para o dito oficial:

“O senhor acha que eu sou  fantasma!!... Acha!?”