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Cap 89 A questão salarial
Cap 89 A questão salarial

 

            No mês de outubro de 1991, o governo do estado enviou a sua mensagem à Assembléia Legislativa, na qual falava sobre um realinhamento salarial. Aos servidores da Secretaria da Fazenda concedia 100% de reajuste; à Polícia Civil, 96% proposto pelo Secretário de Segurança, dr. Manoel de Brito. Os servidores civis tiveram um reajuste razoável.

O Comandante Geral da Polícia Militar foi chamado para apresentar a sua proposta à área econômica governamental. Ele, para a nossa decepção, lá não compareceu, nem apresentou qualquer manifestação.

O abandono do comando levou os assessores da área econômica entenderam que “tudo ia maravilhosamente bem na PM” e colocaram, simplesmente, um mísero reajuste de 31.5% para os policiais militares, deixando grande parte do soldo em abono, prática esta herdada de governos anteriores.

Os salários dos policiais militares estavam defasadíssimos, mas as gratificações dos oficiais do alto comando estavam gordíssimas. Um soldado que ganhava cinco salários mínimos sofrera uma drástica redução para um salário e meio.

Já que o comando não se mexeu e mostrava um falso mundo maravilhoso dentro da corporação, formei uma comissão e com ela fomos à Assembléia Legislativa.  Falamos com todos os deputados da bancada governista, mostramo-lhes  o direito constitucional do aluno soldado e a seqüência salarial do  escalonamento vertical. Eles se mostraram sensíveis à causa. Conversamos com todos os deputados oposicionistas, que estavam conosco.

Os deputados, porém, ouviam a voz do comandante, o qual, rotineiramente, dizia através dos meios de comunicação que tudo ia bem na PM. Que não havia insatisfação na tropa.

No dia da votação nós conseguimos lotar as galerias da Assembléia Legislativa, levando dezenas de policiais militares e seus familiares.

O deputado oposicionista Álvaro Dias fez um discurso em plenário, dizendo que:

“O governo estadual revoga uma lei constitucional através de uma resolução interadministrativa e institui um piso salarial abaixo do mínimo.”

O mais chocante para nós foi o fato dos deputados do governo baixarem suas cabeças - querendo esconder a vergonha - e não deram ouvidos ao nosso clamor.

A omissão do comando com suas informações inverídicas contribuiu seriamente para o descaso dos deputados agripinistas.  Infelizmente, por ser um homem fraco, o comandante se borrava todo quando o assunto era falar com o governador sobre as nossas reivindicações.

A gratificação de comandante, que, como oficial de polícia jamais pensou que um dia chegaria àquela posição,  o deixara cego, mudo e surdo aos sofrimentos de sua tropa. 

Decepcionado com a atitude dos deputados e do comandante, e contando com o apoio de minha diretoria, procurei os meios de comunicação e comecei companha salarial, inclusive, acusei a Assembléia Legislativa de haver rasgado a Constituição Estadual que eles mesmos haviam aprovado.

Enquanto eu denunciava os salários baixos e a tensão que aumentava na tropa, vários policiais militares me procuravam apresentando os seus contracheques com líquido a receber quase zerado. Os quais, revoltados  indagavam-me:

“Sub Júlio, eu vou pagar água, luz e comprar gás, mas, não fica dinheiro nem para pagar o aluguel da casa. O que vou fazer!?”

Aquela situação de miséria deixava-me revoltado, razão pela qual eu estava sempre impulsionado a buscar uma solução para o problema cruciante que atormentava a vida dos policiais militares com reflexos tristes nos seus lares.