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Cap 17 A expulsão de Manoel
Cap 17 A expulsão de Manoel

 

Manoel ia cavando os buracos e eu retirando a areia. Sem mais nem menos, ele empurrou-me por cima dos pés de bananas, e quando fui me aprumando, jogou-me um soco nos lábios, que sangrou muito. Padrinho João, que retornara da casa de farinha, viu-me todo cheio de sangue.

  • O que é isto, Júlio? – perguntou-me com profundo espanto.
  • Foi Mané, padim!.. – respondi cuspindo sangue.
  • Olha rapaz!!... - disse ele irado - neste menino aqui ninguém bate, a não ser eu. E assim mesmo nunca bato nele. Você errou muito. Por isso, não lhe vou perdoar. Solte essa chibanca, que eu vou lhe pagar os dias que você trabalhou. Pegue o que é seu e vá embora, e nunca mais volte aqui.
  • Eu não tenho culpa, padim. Foi ele que começou - respondeu olhando por baixo.
  • É mentira sua, eu sei quem é Júlio. Não quero você mais aqui. E venha cá receber o seu dinheiro.

Manoel pegou o que lhe pertencia, recebeu o pagamento e rumou novo destino. Só Deus sabe que rumo tomou.

Padrinho João se transformava numa fera se ouvisse alguém me dirigir qualquer ofensa. Imagine como foi a sua reação ao me vê cheio de sangue.

Naquela época, como nunca, eu lhe seria uma jóia preciosa. Com os filhos morando distante, via-me como a única pessoa de sua  mais absoluta confiança que poderia contar, pois eu era a silhueta específica da sua própria imagem de homem íntegro e respeitado.

Há muito que ele não me mandava fazer mais nada, isto porque tudo já estava no automático. Tudo era feito com perfeição, sem haver nenhuma reprovação de sua parte. O mesmo, porém, não acontecia com minha madrinha - que Deus a tenha num bom lugar.