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Cap 77 - O Cmt soltou o sargento e me prendeu
Cap 77 - O Cmt soltou o sargento e me prendeu

 

        Foi no comando do coronel Eider, que o mesmo mandou recolher um sargento ao xadrez da unidade, deixando-o incomunicável à disposição da justiça, sem, todavia, existir ordem de prisão expedida pela autoridade judiciária ou auto de prisão em flagrante delito. O sargento solicitou o advogado da associação, que entrou com um “Habeas Corpus”, tendo o doutor juiz dado dez horas para o comandante prestar informações. Na resposta à justiça, o comandante informou que havia posto o sargento em liberdade, mas isto não aconteceu. Apenas retirou o sargento do xadrez,  deixando-o  em  sua  subunidade de origem  e  impedido  de ir para casa.

 Em razão daquela atitude, fui com o advogado ao comando. O comandante se encontrava na 2º Batalhão, em Mossoró, no interior do Rio Grande do Norte.

O subcomandante entrou em contato, pelo telefone, com o coronel Eider, o qual, lá de Mossoró, anunciou dois dias de prisão para mim e determinou a imediata liberdade do sargento.

Ao retornar à Natal, mandou me chamar ao seu gabinete. Era uma sexta-feira.  Ele levantou-se de sua cadeira, colocou as mãos na cintura, que se parecia com um açucareiro e me disse:

  • Sargento, se você não justificar o motivo daquele “Habeas-Corpus”, eu vou lhe punir.
  • Comandante, eu sou presidente da associação. Nós temos advogado para colocar à disposição do sócio, e não podemos negar - expliquei.
  • Expliqua, mas, não justifica. Você está preso por dois dias. Vá se apresentar para ser recolhido - determinou-me.

Do gabinete do comandante fui procurar o sargento comandante da  Guarda do Quartel para me recolher, este, não o fez, acrescentando que não havia recebido ordem para me recolher.

Fui procurar o oficial de dia, que era o tenente Carlos Adel Teixeira, o qual também não mandou me recolher, pois não havia  recebido  ordem superior, o qual determinando que eu cumprisse os dois dias de prisão no alojamento da minha companhia.

No domingo, ao meio-dia, o oficial de dia colocou-me em liberdade, tendo em vista haver cumprido os dois dias de prisão. Na segunda-feira, quando o comandante chegou ao quartel, um “dedo duro” lhe comunicou que eu não teria sido recolhido ao infecto xadrez da unidade. E como o pau sempre se tora nas costas dos mais fracos, o coronel Eider mandou punir, com repreensão, o meu sargenteante Juvenal Praxedes Ferreira, alegando  que o mesmo não providenciara o meu recolhimento ao xadrez.