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Cap 151 Revolta da tropa
Cap 151 Revolta da tropa

 

           Os policiais militares do Rio Grande do Norte, desde a sua criação, nunca tiveram uma chance de ganhar vencimentos dignos. Eles sempre estiveram à mercê da boa vontade dos governantes, que nunca a tiveram.  E pelo que se sabe nenhum governador é bom para sair perguntando:

“Policiais, vocês querem reajuste nos seus soldos?...”

Esta tarefa, evidentemente, seria de quem assume o comando da corporação.  Mas,  nenhum  coronel,  estando  num maldito   cargo de confiança - Comandante Geral -, com gordo e invejável salário que jamais pensaria receber, mais mordomia e “status”, em dias de ser transferido para a reserva remunerada, com salário de secretário de estado, nem por vislumbre fantasia, tomaria a defesa de sua tropa em benefício de melhores salários ou algo que lhes proporcionasse melhor qualidade de vida. No entanto, muitos batiam nos peitos e diziam:

“Eu sou coronel!... Eu quero, posso e mando”.

E foi assim que se expressou um dos Ministros do Superior Tribunal de Justiça,  ao  anular  o ato de expulsão do soldado PM Rossine, que em sua brilhante sentença, deu destaque:

“...o comandante da Polícia Militar do Rio Grande do Norte, utilizando-se do “EU QUERO, POSSO E MANDO”, expulsou o recorrente das fileiras daquela corporação...”

Chocante!

Se os coronéis refletissem um pouquinho, não teriam praticado mais injustiça contra os seus subordinados. Conduto, nem se ressentiram e continuaram cada vez mais contumazes às mesmas arbitrariedades.

A onda de boatos e o descaso do governador Garibaldi diante da decisão judicial, mais tantas decepções, causava revolta aos policiais militares, os quais insistiam que se tomassem atitudes mais radicais.

Foram realizadas inúmeras assembléias, e a palavra de ordem de muitos era aquartelar a tropa, faltando, apenas, um grito, mas tudo esfriava quando se ouviam os presidente das 3 grandes entidades representativas - dos Oficiais, dos subtenentes e sargentos, e dos cabos e soldados -, que eram teleguiados pelo comandante, diziam antes que alguém falasse do assunto:

“Greve, não! Greve, não!”

Existia um forte controle do comando sobre os presidentes, haja vista  que,  antes  das assembléias, na mesma hora da convocação, o coronel Mesquita mandava chamá-los ao seu gabinete. Este mantinha os presidentes sob controle e nada fazia para colaborar na solução de nossa causa, pois, como Comandante Geral, que era secretário de governo, reunia todas as condições para convocar os líderes do movimento, levando-os ao governador e convencê-lo de que seria melhor uma negociação com os policiais.

Todavia, ele não o fez. O qual não foi em nada diferente daqueles que não se interessaram por sua tropa. Ele tinha tudo para resolver. Já havia incorporado a  representação de secretário de estado, e nada tinha a perder, mas, era triste perceber que aquela maldita e almejada cadeira deixava os coronéis  amedrontados.