RIBEIRO ROCHA JULIO 
Cap 64 Chegada do general Justino
Cap 64 Chegada do general Justino

 

            Não gostando do comportamento do general Omar, o coronel Mendonça Lima, já investido no cargo de novo comandante, entrou em contato com o Comandante Militar do Nordeste com sede na Capital do Recife, general Justino Alves Bastos, que foi à Natal no segundo expediente daquele dia.

O general Justino reuniu o coronel Mendonça Lima e o general Omar no gabinete do Comando Geral da Polícia Militar. Em seguida, ele conversou reservadamente e durante longe tempo com o seu auxiliar, coronel Mendonça Lima, de quem era amigo pessoal, recebendo todas as informações precisas, inclusive da alta lição de disciplina que fora dada pela tropa rendida.

Ciente sobre o procedimento tosco do general Omar, Justino o desautorizou interferir nos assuntos relacionados à Polícia Militar, determinando que o coronel Mendonça Lima, quando preciso, podia se comunicar diretamente com o Comando Militar do Nordeste.

O general Justino convocou a imprensa e distribuiu nota oficial esclarecendo à opinião pública sobre as razões da ocupação do Quartel da Polícia Militar.

Com homens do Exército assumindo todos os pontos estratégicos, o comando de ocupação, seguindo a orientação do general Justino, passou a adotar as providências necessárias. Reuniu os oficiais da corporação, oportunidade  em  que  foi  lida uma lista de policiais militares que iriam ficar presos por ter sido acusado pelo Palácio da Esperança como do comando paredista.

E pela lista, deu início à chamada dos oficiais, que se encontravam presentes:

  • Major Antônio Olegário dos Santos.
  • Capitão Capelão Manoel Barbosa.
  • Aspirante Cícero Figueiredo de Mendonça.

Aos oficiais presos, foi-lhes determinado recolhimento ao Estado-Maior do 16º Regimento de Infantaria.

E, prosseguindo na lista, mandou chamar:

  • Subtenentes Alfredo Batista de Oliveira, Afonso Gomes, Geraldo Frutuoso, e Antônio André.
  • Sargentos Antônio Batista Gomes, Gil Xavier de Lucena, Júlio Ribeiro da Rocha, José Neris Sobrinho, e Miguel Estelito.

Levados à presença do comando, fomos informados que ficaríamos presos, a fim de responder IPM - Inquérito Policial Militar - e ao mesmo tempo, apresentou-se um Oficial do Exército, o qual tinha ordem para nos recolher aos xadrezes imundos da corporação, contudo, houve a interferência do coronel Reinaldo, que após fazer um relato sobre a situação precária dos xadrezes, fomos recolhidos a um salão situado no pavilhão superior do quartel, e foram tomadas as providências necessárias para a nossa acomodação.

De imediato, foi montada uma guarda do Exército à porta da prisão sob o comando de um 3º sargento.

Outra providência adotada, urgente, foi a dispensa por 30 dias de toda a tropa, ficando fora do quartel, bem como de suas atividades profissionais.

Muitos companheiros não queriam deixar o quartel, enquanto nós estivéssemos presos, mas os aconselhamos ir para as suas casas e adotassem alguma posição se necessário.

Com a chegada do Exército, tudo mudou. O feijão e o bugol desapareceram das refeições do rancho. A alimentação tinha, acima de tudo, qualidade com frutas e verduras, coisa que não existia, pois, sempre era de pior qualidade e carente de nutrientes. No cassino dos sargentos mudou muita coisa. Até a louça. Antes a alimentação dos sargentos era servida em bandejas de alumínio cheias de sebo. Até o café era servido em canecas de alumínio queimando os lábios chega fazia bolhas. De repente, compraram  pratos, xícaras, copos e talheres.