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Cap 153 Reunião com o general
Cap 153 Reunião com o general

 

            Tomando conhecimento pelo jornal sobre a entrega do ofício, a fim de marcar audiência com o governador, o secretário José Carlos Leite, também aposentado..., naquele mesmo dia 16, mandou chamar ao seu gabinete uma comissão de sargentos e outra de oficiais, que seriam atendidas no segundo expediente, separadamente.

Fui contra a reunião com o secretário, porquanto quem deveria se reunir conosco e buscar  uma solução era o coronel Mesquita, Comandante Geral da Polícia Militar. O secretário estava usando a mesma tática que empregara o general Omar Emy Chaves, em 1963. Nós, também, usamos a nossa, e constituímos uma única comissão com o doutor Ribamar, coronéis Balbino, Pádua, Mendonça e Teotônio,  o sargento Siqueira e o cabo Aurélio, para a dita reunião, às 16:00 horas, naquela data.

Sem medo de errar, assegurei à comissão que não haveria nenhum sucesso com o secretário. À hora marcada, o secretário recebeu a comissão que contou com a presença do coronel Mesquita. E começou o general:

  • Eu resolvi mandar chamar vocês aqui para dizer que o governador vai cumprir a decisão judicial. O aluno soldado é 120 reais, o soldado 121 e o cabo 123.
  • Mas, de onde o secretário tirou este índice? - perguntou um dos membros da comissão.

O secretário ficou, mas...,mas...,mas...  E nenhuma justificativa plausível.

Um coronel tomou a palavra e perguntou ao general:

“Por que o senhor não mexe no escalonamento do Exército?”

Ele fez que não havia entendido. Mas uma coisa o general não deixava dúvidas: Lutaria com todas as forças a fim de  prejudicar os policiais militares.

O doutor José de Ribamar passou mais de 30 minutos explicando ao secretário sobre os efeitos da ação, e lamentavelmente, sem êxito diante da desastrosa idéia fixa dos 120, 121, 123 reais. Um dos membros da comissão perguntou ao secretário:

  • Mas, o que nós vamos dizer para a tropa que está revoltada?
  • Armas se combate com armas - respondeu o general.
  • Ai, é!... É, né!!? Quer dizer que armas se combate com armas? - protestou o coronel Mendonça.

O clima esquentou para o lado do comandante Mesquita quando alguém falou em reunião na PM. E o secretário virado numa fera, decretou:

“Mesquita, se eu souber que está havendo reunião na polícia para esse fim, eu lhe demito”.

Patenteou-se, vulneravelmente, o perfil do comandante que sendo secretário de estado igual aos demais, sem existir nenhuma subordinação à Secretaria de Segurança Pública, não teve coragem para dizer que o general não tinha poderes para tal. E a sua única reação, foi baixar a cabeça.

Que tristeza!... Que comandante fraco!!?

Depois de longo tempo, o secretário encerrou a reunião, antes, porém, o advogado solicitou uma audiência com o governador, obtendo como resposta:

“Negativo! Eu sou o governo, e não vai haver reunião”.

Alguns oficiais antigos na Reserva Remunerada da corporação tentaram descobrir  a razão de tanta perseguição do general Carlos Leite contra a Polícia Militar, os quais chegaram a conclusão de que  um irmão do general, que também era oficial do Exército, havia comandado a Polícia Militar, por alguns meses, no governo Cortez Pereira, cujo oficial fora demitido sumariamente pelo governador porque queria punir, sem motivos, o coronel Edmilson, Chefe da Casa Militar. E, como vingança, o general fazia tudo para prejudicar os policiais.