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Cap 32 Jantar com cel Luciano Veras Saldaha
Cap 32 Jantar com cel Luciano Veras Saldaha

 

           Passava das 18:00 horas de uma quinta-feira do mês de setembro de 1960. No Grande Ponto, como era conhecido o centro da cidade, que se tornara intransitável. O senhor Aluízio Alves, candidato a Governador do Estado do Rio Grande do Norte, realizava mais um de seus comícios. Com um carisma extraordinário, conseguia magnetizar multidões incalculáveis de correligionários fanáticos. Mulheres – jovens e idosas – choravam e desmaiavam. Ele era mesmo um cigano feiticeiro, como o foi cognominado popularmente.

Eu me encontrava bem distante do palanque assistindo a um espetáculo que nunca tivera visto. Aquela multidão, que se encolhia  e se espremia a procura de espaço para apoiar os pés, parecia está enfeitiçada. Perto dali observei uma senhora dos seus 40 anos de idade, a qual,  possuída de  uma desequilibrada paixão, delirava dizendo para uma sua amiga:

“Tadinho, mulé!! Ele parece um santo!!...”

Eis que alguém me puxou pelo braço. Virei-me rapidamente. Era o meu colega de turma de praça, o 3º sargento João Xavier Filho, que viera de Martins, o qual me convidou para, às 20:00 horas daquele dia, ir a um jantar que  os  sargentos  da Polícia Militar estavam oferecendo ao coronel Luciano Veras Saldanha, na Peixada do Arnaldo, no bairro das Rocas.

  • Quem é o coronel Luciano? - perguntei.
  • Coronel Luciano é da Reserva Remunerada de Cavalaria do Exército. Ele já foi Comandante Geral da Polícia Militar. Deu início ao seu comando no quartel velho, que atualmente é a casa do estudante. Foi ele quem construiu o quartel novo.

Conversando, o tempo passou rápido. Xavier consultou o seu relógio e disse:

“Está na hora. Vamos!...”

Saímos com destino à Peixada do Arnaldo. Não levamos mais de 10 minutos para lá chegar. Tinha gente que não cabia mais. O coronel Luciano não demorou chegar. Homem forte, vermelho, alto. Com ele, uma comitiva  que tinha o comando de Erivan França - um aluizista de carteirinha. Começaram os comes e bebes, e em seguida os discursos de vários sargentos; dentre eles, um - em nome de todos - convidou o coronel Luciano  para comandar a Polícia Militar, se Aluízio se elegesse  governador. Encerrando, o coronel Luciano falou com muita veemência, agradecendo e aceitando o convite.