RIBEIRO ROCHA JULIO 
Cap 52 A parada militar
Cap 52 A parada militar

               Chegou o dia 7 de setembro - dia da Parada Militar. Foi num sábado. Enquanto acontecia o desfile, a população lia nos jornais da cidade a situação dramática dos policiais militares.    As manchetes enriquecidas por toda aquela situação deplorável que afetava profundamente a vida da comunidade miliciana, deixavam a população pasma.

O jornal que as publicava com fervoroso destaque era o da igreja Católica - A Ordem -, cujo título colocava em xeque-mate o descaso do governo diante da função policial de um pai de família faminto.

A polícia militar que carregava através dos tempos uma história cheia de glórias e tradições, via os seus integrantes  enfrentarem um dos piores dramas da corporação: O DRAMA DA FOME.

Dos jornais destacamos estes trechos:

“... Logo mais, os bravos soldados da Polícia Militar estarão desfilando, no seu uniforme de gala, pelas ruas da cidade, comemorando a  data  magna  da  nacionalidade.  Se  desviarmos a atenção da vistosa farda e a fizermos nos rostos, havemos de descobrir os reflexos da subnutrição desses homens, nos olhos encovados, nas rugas prematuras, na expressão de fadiga. Eles são vítimas de uma injustiça social com que urge terminar”.

Chocante mesmo era este destaque  em outro jornal:

“Ser soldado da polícia é um título de mendicância. Ouvimos de uma freira que dirige uma casa de assistência num dos bairros pobres da cidade, que quando aparece alguém da família de um soldado pedindo auxílio, surgem logo os protetores voluntários: IRMÃ, AJUDE ESSA MULHER, QUE O MARIDO É SOLDADO DA POLÍCIA...”

E finalizava, dizendo:

“A Polícia Militar é hoje um regimento de homens infelizes, párias sociais..."