RIBEIRO ROCHA JULIO 
Cap 31 Ao serviço
Cap 31 Ao serviço

 

            Terminava o mês de dezembro, quando passamos a prontos. Isto queria dizer que nós estávamos habilitados ao serviço policial militar. Comecei minha carreira trabalhando na tesouraria da corporação, que tinha como Chefe o Major Antônio Morais Neto, o qual muito me incentivou a estudar.

Eu e João Xavier Filho fomos estudar na escola do aluno oficial Pereira, que funcionava num salão, na Avenida Quatro, com a rua Jaguarari, no bairro de Lagoa Seca, bem distante do Quartel do Comando Geral, no horário das 7 às 22 da noite. A gente ia a pé porque não existia ônibus, enfrentando uma tremenda escuridão quase todo o caminho.

No início de janeiro de 1959, fui aprovado no exame de seleção para cabo de fileira. Com uma turma de sessenta alunos, o curso teve a duração de seis meses e funcionava nos dois expedientes. No mês de junho daquele ano, fui promovido a Cabo.

A responsabilidade aumentara, e eu fiquei trabalhando na tesouraria da corporação e concorrendo à escala de serviço de cabo da guarda do portão principal. Num dos serviços, descobri que existia um Curso de Exame de Admissão bem em frente ao portão do quartel. Procurei a direção do curso e fiz minha matrícula. Estudei todo o  ano de 1960. No final do ano fiz as provas e recebi meu diploma e fui fazer os exames para entrar no Curso Ginasial do Atheneu.

Foi no meu primeiro ano, no Atheneu, que conheci Maria Aparecida, com 16 anos de idade, também cursando o primeiro ginasial na mesma classe, que depois se tornou o grande e único amor de minha vida.

Fazia um mês que o curso tivera início. Maria Aparecida deixou de freqüentar as aulas. Após alguns dias, recebi um bilhete dela que me convidava ir à sua residência.

Enchi-me de alegria, pois eu não tinha o seu endereço. Com o meu coração pulando de felicidade fui vê-la à noite. Estava encantadora, a qual me disse que estivera doente e que na semana seguinte voltaria às aulas. Voltou. Sentou-se na mesma cadeira de antes ao meu lado. Meu coração pulsava de alegria. Naquele ano mesmo, ficamos noivos.

Aparecida morava bem próximo ao Atheneu. Sua mãe, Maria Assunção, ia deixá-la todas as noites. E lá ficava aguardando até a última aula.

Vi que Aparecida era uma boa filha. E tinha uma boa mãe. Cuidadosa. Cheia de afeiçoado amor pela filha.

Deus estava fazendo a sua obra, pois logo que entrei na corporação, fiz um pedido ao Senhor, meu Deus, que me apresentasse uma moça boa filha, por que me seria boa esposa. E assim me fez  o Senhor. Meu Deus, Todo-Poderoso. Onipotente.

Só com o nosso noivado foi-me confiada a companhia da Aparecida, a fim de apanhá-la em sua residência e deixá-la todas as noites de aulas.