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Cap 169 Insultos contra o governador Garibal
Cap 169 Insultos contra o governador Garibal

 

            Alguns policiais militares que não iniciaram comigo a luta da ação judicial, mas, indignados com a posição assumida pelo governador Geribaldi, resolveram conquistar a simpatia da tropa, que vivia assanhada.

O Governador Garibaldi estava caindo nas pesquisas e José Agripino, o seu principal adversário, subindo. Soares havia chamado o governador de fora da lei e continuava chamando.

O sargento Siqueira, que mudara a sua postura, resolveu jogar duro com o governador. Ele foi entrevistado pelo repórter Salatiel, no programa Linha Dura, da Televisão Potengi, chamando o governador  de mazela. Ele foi explícito:

“GOVERNADOR, O SENHOR É A PIOR MAZELA QUE EXISTE NO RIO GRANDE DO NORTE”.

Não dava nem para acreditar que o governador preferiu toda aquela campanha e insultos contra ele a cumprir a determinação do STJ. E o que era pior: num ano de campanha eleitoral, candidato a reeleição, enfrentando uma ligeira  queda nas pesquisas.

Surpreendido, li no Diário de Natal uma nota sob a responsabilidade do Clube Tiradentes e da Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar, com os nomes dos seus presidentes - sargento Edson Siqueira de Lima e o soldado José Luiz.

O título da nota era:

“PATRÃO RUIM, A GENTE DEMITE.”

O conteúdo da nota não era extenso, mas, o que nela estava escrito seria o suficiente para gerar muitas discussões. Botava para quebrar contra o governador.

Achei coragem dos dois presidentes em assinarem a nota. O sargento Siqueira vivia muito ligado ao comandante. E o soldado Luiz, prestava serviços ao Tribunal de Justiça, como motorista, o qual correria o risco de sofrer como punição o seu recolhimento à tropa. Na tarde daquele dia fui entrevistado pelo programa Tropical Comunidade, da Rede Tropical de Televisão. Antes de entrar para os estúdios, fui abordado por um cidadão perguntando-me:

  • Gostou da nota!?
  • Nós ainda vamos pegar a assinatura dos presidentes – esclareceu-me.

Dei minha entrevista, e de lá fui realizar visitas, retornando para casa perto das 21 horas, quando minha esposa me chamou para atender a um telefonema. Era o coronel Teotônio, da reserva da corporação, que me disse:

  • Você está sabendo da maior!?...
  • Não senhor.
  • Eu, coronel Balbino, major Cipriano, sargento Siqueira e o soldado Luiz fomos chamados para conversar com o Comandante Geral, coronel Gadelha. Depois de muita conversa, o comandante mandou os oficiais saírem dizendo que iria conversar com Siqueira e Luiz. Nós ficamos lá em baixo esperando que os dois saíssem do gabinete do comando. Quando Siqueira chegou informou para os oficiais de que o comandante havia forçado ele e Luiz a assinarem um documento para o jornal desmentindo a nota. Na hora, chegou um dos oficiais e perguntou: “E agora, Siqueira, você vai dizer o que para a tropa? Aí, Siqueira se apavorou e correu para o clube, e de lá telefonou ao comandante desautorizando-o publicar a nota, mas, o comandante já havia mandado por fax. Os oficiais foram para o clube dos sargentos, e quando chegaram lá, encontraram os deputados Nélter Queiroz e Raimundo Fernandes conversando com Siqueira e era sobre a nota. Os deputados só saíram do clube com o original da nota assinado por Siqueira e Luiz, a fim de resguardar a responsabilidade de alguém que havia publicado aquela nota, enquanto os dois presidentes de nada sabiam.”

A história da nota rendeu bastante. O soldado Luiz foi chamado ao gabinete do Comandante Geral, o qual, na presença da imprensa disse que houvera assinado a nota sob forte emoção porque fora pressionado pelos deputados. O fato é que “PADRÃO RUIM, A GENTE DEMITE” foi publicada outra vez no mesmo jornal, e desta vez com  autorização e assinatura de Siqueira e Luiz.

Para conversar com o soldado Luiz, o comandante convocou representantes da impressa, e na presença de todos, disse:

  • Mandei chamar este soldado aqui porque é muito correto e não mente. É um soldado honesto! Fale a verdade, soldado! Você sabia sobre aquela nota?
  • Sabia, não senhor.

Mas, com o publicação da nota, pela segunda vez com assinatura e tudo - de Luiz e Siqueira -, o comandante publicou em boletim um processo de licenciamento contra o sargento Siqueira, com a finalidade de colocá-lo fora da polícia; ao coronel Balbino deu uma punição de quatro dias de prisão,  ao soldado Luiz, uma repreensão, e ficou ameaçando de punir o major Cipriano, mas, retrocedeu.