RIBEIRO ROCHA JULIO 
Cap 36 A posse de Luciano no Comando da PM
Cap 36 A posse de Luciano no Comando da PM

 

            Com Aluízio já governador, o coronel da Reserva Remunerada de Cavalaria do Exército, Luciano Veras Saldanha, assumiu o Comando Geral da Polícia Militar, às 8 horas, no incío do mês de fevereiro de 1961. A tropa em forma no pátio anterior do Quartel do Comando Geral, o coronel José Reinaldo passou o comando da corporação militar ao seu novo comandante geral.

Vestindo, impecavelmente, a farda caqui da Polícia Militar, sobre os seus ombros as insígnas de oficial superior, devidamente comissionado a coronel fechado da organização policial militar, por decreto do Governador do Estado do Rio Grande do Norte, o coronel Luciano diante da tropa pronunciou o seu solene discurso, que, acima de tudo, ficou registrado na história da corporação:

“Assumo o Comando da Polícia Militar. Não tenho rabo de palha como muita gente boa tem aqui, que não pode dobrar naquela esquina ali que o seu rabo pega fogo  (apontando com o dedo indicador para a esquina do quartel que ficava ao seu lado direito). A roda grande vai entrar na pequena! Só quero ver aqui eu e O CARNEIRINHO da banda de música, pois quem não prestar eu ponho no olho da rua”.

Bem enfático, o velho coronel, finalmente, concluiu:

“E tem mais!!... Eu não comandarei uma tropa com fome, porque uma tropa com fome a disciplina entra pela boca, pois saco seco não se põe em pé”.

O velho Luciano chegou com tudo! Conhecendo-o como a maioria da tropa o conhecia!!... Ninguém duvidava de nada!

As palavras de Luciano mexeram com a emoção dos policiais militares, a ponto de um oficial, gritar:

“UIPIURRA, coronel Luciano!!!”

E toda a tropa, sem entender o que diabo queria dizer aquela palavra - UIPIURRA -, gritou:

“UIPIURRA, coronel Luciano!!”

Mas, os policiais gostaram e repetiram:

“UIPIURRA, coronel Luciano!!

Poucos policiais militares sabiam o porquê daquelas palavras ásperas do novo comandante. É que ao deixar o seu último comando da PM, alguns oficiais que não lhe eram simpáticos dirigiram-lhe algumas pilhérias e ele as engoliu calado, posto que já estava fora do comando. Retornando ao seu antigo cargo, ele chegava com duas “quentes e uma fervendo”, e não poupou os seus algozes, cuja maioria já se encontrava na reserva remunerada da instituição militar.