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Cap 48 O gov Aluízio prendeu o sargento Estelito
Cap 48 O gov Aluízio prendeu o sargento Estelito

 

          Um fato novo aconteceu com o sargento Miguel Estelito de Sousa, que era Delegado de Polícia na Cidade de Montanhas, no interior do estado.

Estelito conquistara a simpatia do povo da cidade. Ele prestava assistência à população carente com serviços de enfermagem e distribuição de medicamentos. Sua fama de bom policial e cidadão de bem se espalhou pelo município e cidades vizinhas, o qual era procurado por todos, que os atendia sem distinção de cor, religião ou política.

O nome do sargento delegado passou a ser cogitado,  com ampla divulgação e aceitação, como candidato à prefeitura local, causando inveja aos líderes políticos e correligionários do Governador Aluízio Alves, ao qual solicitaram a demissão imediata do sargento delegado.

Aluízio mandou demitir o sargento Miguel Estelito e recolhê-lo ao Quartel do Comando Geral da Polícia Militar, cujo policial fora punido com 30 dias de prisão e recolhido a um xadrez imundo com dois metros quadrados.

Sua prisão gerou grande revolta não só aos subtenentes e sargentos, mas, especialmente, no meio da tropa vez que o policial militar preso era bastante admirado pelos praças da instituição policial militar.

A atitude de Aluizio provava que era falsa toda aquela essência de homem bom. E que desde o início do seu governo, mostrara o seu descontrolado desejo de perseguir o servidor público, o fazendo, contudo, com maiores proporções  contra os policiais militares.

A notícia sobre a prisão do sargento Estelito causou indignação à população da cidade de Montanhas, bem como perante toda a sargentada das Forças Armadas.

Os sargentos da Força Aérea Brasileira, ao tomarem conhecimento, foram visitar o seu colega policial militar. Pararam um ônibus bem grande da FAB, conhecido  como “papa fila”,  em  frente  ao portão das armas do Quartel da Polícia Militar. O veículo estava lotado, mas só desceram 12 sargentos, os quais procuraram o oficial de dia que era o lº tenente Pedro Rodrigues dos Santos, a quem solicitaram visitar o sargento Estelito.

O tenente ficou assustado com a presença dos sargentos de outra força querendo visitar um companheiro da Polícia Militar, numa demonstração de calorosa solidariedade humana, coisa que, aliás, sempre estava em falta na Polícia Militar, mais precisamente no oficialato.

Os sargentos foram levados à presença do coronel Luciano, que surpreso com a manifestação daqueles sargentos, falou rispidamente:

“Eu estranho muito esta presença coletiva de vocês aqui, pois não é comum visitarem seus colegas presos disciplinarmente em outra unidade”.

Pelas etiquetas de identificação - crachás - o coronel Luciano anotou os nomes de guerra dos sargentos, mandando-os que fossem visitar o seu colega preso, mas no dia seguinte remeteu ofício ao coronel Salema, Comandante da Base Aérea, ao qual informava ser um ato de indisciplina o que os seus comandados haviam praticado.

O coronel Luciano, aquele homem íntegro que soubera manter o princípio da autoridade, começara a perdê-lo perante os seus comandados. E foi vivendo este quadro que o comandante mandou chamar o sargento Gil, determinando recolhê-lo à prisão. Porém, mais uma  vez, recuou em sua decisão, pois  os diretores invadiram o gabinete do comando e avisaram que o seu presidente só iria preso se eles fossem também.

A visita inesperada dos sargentos da FAB botou mais lenha na fogueira da tropa enfurecida. Com a autoridade em queda livre, o coronel Luciano passou a ser desacreditado perante todos, por conseguinte, a sua palavra não era levada em consideração. E os policiais militares só acreditavam na posição que o sargento Gil tomava.

Vítima da miséria que assolava os seus lares com freqüentes internamentos de seus filhos no hospital da corporação, cujos diagnósticos só registravam desnutrição, os policiais esperavam, tão-somente um comando saído da boca do seu líder - o sargento Gil Xavier de Lucena.