RIBEIRO ROCHA JULIO 
Cap 28 Busquei vida melhor
Cap 28 Busquei vida melhor

 

          A profissão que eu estava exercendo, não era a que eu desejava. E vivia pensando buscar nova vida. Eu queria estudar mais, entretanto, os conhecimentos de Chico de Tutuia haviam se esgotado para mim.

Uma força interior de há muito me impulsionava a mudar de vida. De procurar nova perspectiva. Foi assim ao deixar a casa de padrinho João Horácio, ao deixar Chico Galvão. E desta vez, mais forte, para deixar Luiz Sátiro e buscar uma vida mais digna.

Foi nesse tempo que travei conhecimento com o soldado Domício, que servia no destacamento policial de Monte Alegre, o qual me aconselhou para sentar praça na Polícia Militar. Eu estava com 16 anos e oito meses, e segundo ele, a corporação aceitava rapazes maiores de 16 anos, pois o Exército estava autorizando.

Para ser incorporado, a polícia exigia o registro de nascimento, mas eu não o tinha. O Soldado Domício levou-me ao Cartório de Solon Ubarana, onde fui registrado como natural de Monte Alegre, com os nomes dos meus pais verdadeiros: Antônio Ribeiro da Rocha e Isabel Firmino da Conceição.

Era 14 de agosto de 1957. Domício mandou que eu arrumasse  meus pertences, que no dia seguinte, às 7 horas, eu iria à Natal, a fim de alistar-me na Polícia Militar.  De fato, no dia 15, bem cedo, ele foi até à padaria de Luiz Sátiro, onde eu já o aguardava. Entregou-me um bilhete e disse-me:

“Quando você chegar ao portão, diga que deseja falar com o brigada, que é o sargento Balduíno, e entregue este bilhete a ele”.

Da padaria, levou-me até ao caminhão misto de Ernesto, a quem recomendou:

  • Ernesto, este rapaz vai para o Quartel da Polícia Militar. Quando você chegar em frente ao Clube dos Funcionários do Banco do Brasil, mande-o descer e ensine-o como chegar ao 
  • Pois não, Domício - respondeu Ernesto.

Apanhei o misto me espremendo todo por que  o veículo estava lotado. Com pouco tempo, Ernesto deu partida. Nós seguimos por aquela estrada estreita e empoeirada, até que chegamos à pista - a BR 101- que também era estreita, e passava apertado um carro por outro.

Finalmente, estávamos em Natal. Ernesto parou o misto de supetão e deu marcha ré. Ele havia passado do local que Domício o solicitara. Parou o carro. Olhou para mim e apontando com o dedo indicador da mão esquerda, disse-me:

“Desça e vá num caminho que tem por baixo daquelas mangueiras, que vai sair bem em frente ao portão do quartel”.